A árvore sinônimo da revolução

Neste dia 21 de setembro, quando se comemora o Dia da Árvore, vamos contar a história dela, cuja trajetória foi construída junto com a Universidade.

Em 21/09/2018 22:31

Reportagem por Agência de Notícias Qbo Mais

A árvore sinônimo da revolução

Num lindo fim de tarde da primavera, anos atrás, várias pessoas que passavam pela Unochapecó se reuniram para colocar as mãos na terra e plantar vida. "Eu estava com o regador na mão, me lembro até hoje", relata o responsável técnico do Viveiro Florestal da Unochapecó, Alencar Belotti. Na época, estudante do curso de Agronomia, ele participou do movimento para tornar a Universidade mais bonita e verde, com espécies da Mata Atlântica. Ao plantar a árvore, uma corrente de energia e positivismo foi passada e, ao final, uma salva de palmas para marcar o momento. Hoje, é ela que nos agradece com todo o seu esplendor.

Neste dia 21 de setembro, quando se comemora o Dia da Árvore, vamos contar a história dela, cuja trajetória foi construída junto com a Universidade. A árvore, em questão, é da espécie em extinção 'Canela Preta'. Poucos a conhecem por esse nome, mas é só falar em 'Árvore do Pensamento' que logo sua imagem vem à mente. Robusta e de grandiosa arquitetura, a árvore superou tempestades e diversos desafios nestes longos anos, mas com a ajuda da natureza ela se reinventou e revolucionou, tornando-se o que é hoje.

Enquanto suas raízes começavam a fixar-se no solo, a Universidade passava pelo processo de mudança de nome. Assim como a Unochapecó se consolidou, a árvore cresceu, se agarrou ao local e se estabilizou. A relação das duas é assim, cheia de metáforas. As fases de superação que ambas passaram ficaram marcadas e foram fundamentais para as formas e caminhos que tomaram.

Na Unochapecó, até o final da década de 90, existia uma grande plantação de eucaliptos e pinos. Na intenção de fazer um novo paisagismo e reflorestar a Universidade com árvores da nossa região, muitas delas em extinção, que funcionários, professores e estudantes escolheram algumas espécies e se reuniram para plantá-las. Espalhando, assim, vida por todos os espaços da Instituição. Com o passar dos anos, devido às condições climáticas e necessidades do campus, várias árvores precisaram ser retiradas. Dentre as principais plantadas naquela época, a única que resistiu a todos os impactos e permanece majestosa foi justamente a Árvore do Pensamento.

Inicialmente, a árvore que levava esse nome era uma planta da espécie 'Guapuruvu', localizada perto da biblioteca. Mas, devido a sua estrutura, precisou ser retirada para a segurança das pessoas que circulavam pelo espaço. Desta forma, outra espécie recebeu o carinhoso nome. "Para a nossa sorte, o pensamento se desloca, voou um pouco e foi para a Canela", relata Alencar. A árvore, que não foi plantada com esse intuito, recebeu muito bem o nome. Seu entorno é um lugar especial para apresentações culturais, mostras de trabalhos e, principalmente, receber todo tipo de pensamento. Seja no intervalo de uma aula, sozinho ou com toda a turma, para colocar as ideias e os papos em dia.

Ponto de referência e encontro dentro do campus, por estar localizada no espaço central, em frente ao bloco B, a árvore nos acolhe de galhos abertos. Se para algumas pessoas sentar sob sua sombra é só um momento de descanso, para Alencar estar ali significa sentir e admirar a natureza que o cerca. "É importante para mim ficar em baixo dela e ouvir os barulhos das abelhas. É muito bom, ela tranquiliza a gente, traz muito conforto, por isso que é gratificante", afirma.

Só o fato dela ter sobrevivido tantos anos e ter proporcionado vários momentos agradáveis, para Alencar, já é motivo de gratidão. Ele, que trabalha em meio às plantas, fazendo o que ama, tem a Canela Preta viva e fixa naquele local como uma das maiores alegrias. “Eu respeito como se fosse uma pessoa. Quando passo por ela, elevo meu pensamento agradecendo, tiro uma folhinha e cheiro, isso é uma coisa quase que sagrada. Ela é uma parceira de muitos anos para mim aqui dentro”.

Se a Árvore do Pensamento segue firme e forte até hoje, é porque foi cuidada por muitas mãos. Uma árvore não é algo que possa ser destruído, cortado ou jogado fora a qualquer momento. De acordo com pró-reitor de Pesquisa, Extensão, Inovação e Pós-Graduação da Unochapecó, professor Leonel Piovezana, toda árvore traz uma simbologia. Representa, principalmente, a natureza, a troca e a humanidade. “Ela deve ser uma extensão da vida, porque, além de ser alimento, é abrigo, aconchego, meditação, troca e responsável pelo ar que respiramos”, relata Leonel.

As fases da árvore são como os nossos ciclos a cada ano. Temos uma rota traçada a percorrer durante esse tempo. Faça sol ou chuva, precisamos passar por todas as etapas e superar os obstáculos e imprevistos. Com a árvore é igual. Ela também enfrenta e se adapta a cada estação, para garantir seu ciclo de produção. "A árvore contribui para a nossa vida, em todas as etapas da vida dela", explica Alencar.

Podemos ter certeza que ela nunca perde a esperança no amanhã, e sua força torna nossos dias melhores. Seus frutos, simbolizam as realizações pessoais. Suas folhas representam cada um de nós que passamos diariamente pelo campus em busca de um futuro melhor. Seus galhos espelham a força que une as pessoas. Seu caule é a base de sustentação do conhecimento. E suas raízes contam a história das conquistas e revoluções da Unochapecó.

A Árvore do Pensamento, em sua plenitude, representa a forma que a natureza recarrega as nossas energias, mesmo sem percebermos. As cicatrizes em seu tronco são as marcas da sua história. Os anos são apenas números, que narram os ciclos de sua vida. Com a Universidade é igual. "A sobrevivente, a heroína da resistência, continua sendo ela", finaliza Alencar.

Texto Vanessa Marquezzan**Estagiária, sob a supervisão de Jessica De Marco Foto:Bruno Silva


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